O Que Fazer Nordeste de Amaralina

O verde e amarelo que a gente quase perdeu e agora está voltando

Compartilhe nas mídias:

Foto: Dener Dublack | O Que Fazer NA

A política tomou conta da camisa da seleção e esfriou o coração do povo. Mas o sentimento de brasilidade está sendo resgatado, especialmente nas comunidades.

Durante muitos anos o verde e amarelo era motivo de orgulho puro nas ruas do Nordeste de Amaralina. Quando a Copa do Mundo se aproximava, o bairro ficava todo enfeitado. Bandeiras penduradas nas janelas, calçadas pintadas, muro colorido, todo mundo na expectativa. Era um clima de festa que tomava conta da favela. As crianças pintavam o rosto, os arrastões saíam tocando, e a gente sentia de verdade que era brasileiro.

Mas esse sentimento foi se perdendo aos poucos. Desde a última Copa que o Brasil ganhou, em 2002, já faz mais de 20 anos. E nesse tempo todo a política entrou no meio e bagunçou tudo. A camisa da seleção virou motivo de briga, as cores verde e amarelo foram usadas em disputa, e o povo foi se afastando. Muita gente parou de sentir orgulho de vestir a camisa. O que era união virou divisão. E o clima de Copa, aquele que enchia as ruas de alegria, foi enfraquecendo.

Aqui no Nordeste de Amaralina a gente sentiu isso na pele. As ruas ficaram mais quietas nas últimas Copas. Menos bandeira, menos pintura na calçada, menos aquele calor no peito. O futebol, que sempre foi nosso ponto de encontro, acabou trazendo mais tristeza do que festa.

Felizmente as coisas estão mudando de novo. Aos poucos o sentimento está sendo resgatado. Vários projetos audiovisuais, produções locais e criações do povo estão trazendo de volta a brasilidade de verdade. Estão destacando a nossa criatividade, a nossa força e o orgulho de usar o verde e amarelo sem brigar por causa de política. É um resgate bonito, que vem de baixo pra cima, feito por quem realmente ama o Brasil.

A gente precisa voltar a sentir isso. Não é só sobre futebol. É sobre olhar pro espelho e se orgulhar de ser brasileiro, de ser nordestino, de ser do Nordeste de Amaralina. É sobre voltar a enfeitar a rua, pintar a calçada, pendurar a bandeira sem medo de julgar.

O verde e amarelo nunca foi de partido. Ele é do povo. E esse povo que acorda cedo, que luta todo dia e que ainda sonha com a Copa está aos poucos recuperando o direito de sentir orgulho das nossas cores novamente.