Na segunda metade da década de 1990, Salvador assistia a um esvaziamento dos seus festejos populares. Os sambas juninos e as festas de largo começavam a perder espaço, e eventos comunitários tradicionais minguavam. Foi nesse cenário de resistência que, por volta de 1998 1999, os moradores da localidade da Sucupira, na Santa Cruz, decidiram que o período junino não passaria em branco. Capitaneados pela família de Pedro José dos Santos Filho (Seu Pedro) e seus primos, eles organizaram um forró no dia de São Pedro.
“São Pedro não tinha essa [comemoração], a primeira foi a nossa. Foi maravilhoso, inesquecível”, relembra Seu Pedro. O que nasceu de forma inesperada, como um ato de diversão informal e no meio da rua “pra vizinhança dançar”, logo tomou proporções gigantescas. Nos dois primeiros anos, a música vinha de um som comum. Depois, evoluiu para palanque com som mecânico e, em seguida, bandas ao vivo.
A estrutura era erguida na própria ladeira da Sucupira, com o palanque montado estrategicamente no final da escada. Um dia antes, o movimento transformava a rua: os moradores limpavam tudo, pintavam as frentes das casas, decoravam o espaço com palhas e bandeirinhas, armavam as barracas e ornamentavam o palanque até com tapete. A montagem das caixas de som chamava tanto a atenção de quem passava de fora que muitos perguntavam se haveria comício político. Não era política; era o Forró de São Pedro.
Para viabilizar a festa, que chegava a custar mais de 10 mil reais entre pagamento de cantores e som, a organização contava com o apoio fundamental dos comerciantes locais, que viam suas vendas aumentarem com o fluxo de pessoas, e com a venda de camisas. Mas a camisa nunca foi um fator limitante: o espaço era totalmente aberto e democrático. Quem comprava ajudava nos custos, e quem não comprava curtia do mesmo jeito. Velhinhos, jovens e crianças de chapeuzinho dividiam o mesmo chão.
O Forró da Sucupira cresceu junto com a população do Nordeste de Amaralina. Se no início atraía quem estava por perto, e que, segundo Seu Pedro, “mal sabia dançar forró e aprendeu ali”, com o tempo passou a atrair gente de diversos bairros de Salvador e cidades vizinhas. Hoje, a festa se consolidou como uma das maiores e mais importantes manifestações de união, cultura e lazer da história da nossa comunidade.
Fonte pesquisada: Livro Traços e Laços da Região Nordeste de Amaralina










