O Que Fazer Nordeste de Amaralina

O Abraço da Sucupira e o Fio de Esperança que Resiste na Santa Cruz

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Andar pelas ruas do 27º Forró de São Pedro da Sucupira é, acima de tudo, um exercício de memória e afeto. No meio do circuito, vivenciamos um daqueles momentos que nenhuma estrutura de palco consegue comprar: o reencontro com um amigo de longa data, daqueles com quem dividi a infância. Ali, entre um abraço e outro, nos vamos relembrando os forrós antigos, as histórias que o tempo não apaga, mas com a cabeça e o coração fixos no presente, conscientes de que estávamos, naquele exato instante, construindo uma nova história, em um novo ano.

Essa é a verdadeira magia da nossa comunidade. É o amor que os moradores têm entre si, o respeito mútuo que se manifesta no olhar de quem se reconhece cria do mesmo chão. E a Sucupira, historicamente, sempre foi o ponto de encontro desse caldeirão de talentos e afetos.

Caminhando mais um pouco, a gente esbarra com a nossa própria riqueza viva. Encontrar a galera da Banda PaPum, representada por Xixinho, esse cantor e compositor renomado que é patrimônio da nossa música local, e seu irmão Welber, voz marcante e responsável por conduzir a banda com tanta maestria, nos lembra do tamanho da nossa potência. Para completar o cenário de orgulho, a presença de Ramon, coreógrafo e uma das maiores personalidades que a Santa Cruz já produziu, indiscutivelmente um dos melhores dançarinos que essa comunidade já teve e continua tendo. Ver essas mentes brilhantes no mesmo espaço nos faz entender o quanto somos ricos.

Esse reencontro escancara uma verdade absoluta: a nossa comunidade anseia e quer, desesperadamente, momentos de lazer, entretenimento e, acima de tudo, paz. O morador quer o direito de curtir o seu território, seja no compasso tradicional do forró ou na batida do paredão. O que cansa e sufoca o nosso povo é o peso de tantas dinâmicas negativas que historicamente atrapalham o nosso processo de desenvolvimento e crescimento, somado a uma dolorosa falta de valorização da nossa cultura de raiz.

É impossível não fazer um paralelo: hoje, o Carnaval do Nordeste é, sem dúvidas, a maior festa que a comunidade possui, arrastando multidões mesmo com todos os seus desafios complexos. Mas, no passado, o Forró da Sucupira ocupava esse topo. Era a maior e mais esperada celebração do nosso calendário. Ver esse espaço perder o fôlego ao longo dos anos machuca, mas não nos faz desistir.

Mesmo diante de um cenário que muitas vezes nos empurra para o esvaziamento, existe um fio invisível de esperança que se recusa a romper. As pessoas ainda querem estar no Nordeste de Amaralina. As pessoas ainda querem ocupar a Santa Cruz e viver a Sucupira.

Para que a gente consiga nos encontrar novamente enquanto comunidade e aflorar aquele sentimento de pertencimento que nos une, é preciso ter um olhar mais amplo e generoso para a nossa gente. Precisamos construir pontes de comunicação melhores, que valorizem quem é da terra e protejam o nosso espaço de convivência. O Forró da Sucupira não é apenas uma data no calendário; é o espelho do que temos de melhor. E enquanto houver o respeito e o abraço de dois amigos de infância na ladeira, a alma da Sucupira continuará viva, esperando pelo dia em que voltará a reinar absoluta na paz que o morador merece.