Nagô Beeats, que é ministro da Timbalada e filho legítimo do Nordeste de Amaralina, apresenta a inspiração do single “Bateu Levou”, uma das faixas mais impactantes e honestas produzidas na cena periférica de Salvador nos últimos tempos.
A música, que já foi cantada com grande força no Afropunk, não é apenas um som. É um desabafo profundo de quem cresceu vendo a favela sangrar em silêncio. Em suas palavras, “Bateu Levou” fala sobre amigos perdidos, colegas da música, primos e jovens que foram engolidos pelo tráfico, pelo crime organizado e por uma guerra que parece não ter fim.
“Quando eu canto essa música, eu falo sobre amigos que perdi… Mães que enterram filhos. Famílias destruídas. Sonhos que acabam cedo”, desabafa o artista. Ele denuncia como a morte de jovens nas periferias se tornou algo que a sociedade trata como normal, enquanto pouca gente levanta a voz de verdade por paz nas comunidades.
Com a potência rítmica característica da Timbalada e a vivência pesada do Nordeste de Amaralina, Nagô Beeats transforma revolta e dor em um som que não permite que o ouvinte fique indiferente. A faixa carrega a força da denúncia sem maquiagem, no mesmo caminho de referências como Mano Brown, Edi Rock, Ice Blue, KL Jay e MV Bill.
Ser ministro da Timbalada e sair do Nordeste de Amaralina para levar essa mensagem forte mostra a potência que o bairro carrega. Nagô Beeats usa sua arte para falar o que muitos preferem ignorar: a favela também quer viver, sonhar e ter paz.
“Bateu Levou” é muito mais que uma música. É um grito, um registro e um pedido sincero de paz para as periferias. E o Nordeste de Amaralina mais uma vez mostra que gera artistas que não só cantam, mas representam e denunciam a realidade do seu povo.










