O Que Fazer Nordeste de Amaralina

A Lavagem de Amaralina volta às ruas e reafirma a força cultural do Nordeste de Amaralina

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Algo histórico e profundamente simbólico marcou o domingo no Nordeste de Amaralina. Depois de anos de interrupções e descaracterizações, a Lavagem de Amaralina retornou de forma organizada, potente e com participação ativa da comunidade. Um resgate que não é apenas festa, mas memória viva de um território que insiste em existir com dignidade.

A celebração nasceu em 1978, idealizada pelo saudoso pescador Aloísio, uma das figuras fundamentais na fundação da colônia de pescadores do bairro e também do Rio Vermelho. Desde então, a Lavagem se tornou mais que um evento religioso e cultural. Ela passou a ser um gesto coletivo de pertencimento, fé e resistência popular.

Neste retorno, o cortejo tomou as ruas com organização da ABCN, reunindo bandas, moradores e visitantes em um desfile maravilhoso. Um trio de samba puxou o ritmo pelo circuito Mestre Bimba, Sítio Caruano e Avenida Amaralina, transformando o cortejo em um grande abraço coletivo entre música, ancestralidade e identidade periférica.

O ponto de chegada foi a Colônia de Pescadores de Amaralina, espaço simbólico da origem da festa. Ali aconteceram a tradicional roda de xirê, cantigas do axé e apresentações que reafirmam a herança afro-brasileira como base espiritual e cultural do bairro. As preces, a entrega dos presentes e a alegria compartilhada deram o tom de um dia que ficará na memória de quem vive e constrói Amaralina todos os dias.

A programação seguiu com show do grupo QG do Pagode, em um palco bem estruturado montado na quadra da praia, próximo à colônia. A atividade foi organizada pelo Portal NordesteEuSou, reforçando o papel da comunicação popular na valorização das narrativas do próprio território.

Apesar da beleza e da força do evento, um ponto negativo não pode ser ignorado. A disputa político-partidária que atravessa a comunidade acaba interferindo no desenvolvimento coletivo e, em certos momentos, tenta se sobrepor ao sentido da festa. A autopromoção em cima de uma tradição construída pelo povo gera tensões desnecessárias e mancha, ainda que parcialmente, um momento que deveria ser de união.

A Lavagem de Amaralina deixa uma mensagem clara. A comunidade só avança quando entende que união é força. Quando diferentes iniciativas coexistem, quem ganha são os moradores, com mais opções culturais, mais espaços de convivência e mais orgulho do lugar onde vivem. Amaralina mostrou neste domingo que sabe fazer festa, preservar sua história e apontar caminhos. Falta agora transformar essa energia em um projeto coletivo que vá além de um único dia.